Direitos Humanos. Cremar corpos para esconder crimes.
Por Wálter Fanganiello Maierovitch
8 de outubro de 2007.
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| protesto pacífico de budistas da escola theravada, em 5 desetembro de 2007. |
O “generalíssimo” Than Shwe e os generais-menores integrantes da Junta Militar que se apropriou do poder da Birmânia, -- rebatizada de Maynmar por uma ditadura de 45 anos---, estão a apagar os vestígios do massacre que promoveram e iniciado em 27 de setembro passado.
No crematório localizado na periferia de Rangoon, estão sendo incinerados cerca de 200 corpos de vítimas dos massacres.
Com isso, --e a copiar o realizado pela China com estudantes que ocuparam a praça da Paz Celestial--, pretende a ditadura militar,-- chefiada por Than Shwe--, destruir todo prova de mortes violentas e evitar a contagem e identificação das vítimas.
Em razão do aumento nos preços de combustíveis e alimentos ocorridos, começaram os primeiros protestos populares e pacíficos. Isto no mês de agosto passado .
Monges budistas, --ligados à doutrina theravada (a mais antiga do Budismo)- concentraram-se em protesto contra a caristia, em 5 de setembro transato , na praça principal de Rangoon. Depois caminharam, debaixo de forte chuva, até a casa de Aung San Suu Kyi, ganhadora do prêmio Nobel da paz e em prisão domiciliar.
Os massacres começaram em 27 de setembro, quando se verificou adesão da sociedade civil aos monges.
Além de reprimir, militares invadiram templos e casas. Mataram e realizaram prisões, além de cortar as comunicações com o país, por telefone e internet.
Também foram presos jornalistas e fotógrafos internacionais (um fotógrafo de origem nipônica foi fuzilado e morreu na rua). As prisões continuam. Quanto aos jornalistas, está sendo realizado um “pente-fino” para prender aqueles que estão no país com “visto de turista”. E vistos turísticos porque nenhum correspondente está autorizado a ingressar na Birmânia.
PANO RÁPIDO . A comunidade internacional não reage em face da tragédia na Birmânia. China, Rússia e Índia apóiam o regime de Than Shwe.
A visita de quatro dias do enviado especial das Nações Unidas, o nigeriano Ibrahim Gamari, serviu, apenas, para abrir espaço ao sanguinário Than Shwe. Ele participou a disposição de voltar a dialogar, sob condição, com Aung Na Suu Kyi. Para isso, ela terá de renunciar aos seus ideais democráticos e humanitários.
Como se percebe, começa mal Ban Ki-moon, secretário geral da ONU.
Wálter Fanganiello Maierovitch.
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