Festa de narcos mexicanos no aguardo da confirmação da presidência de Peña Nieto
Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.
IBGF, 4 de julho de 2012.
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| Popularidade & complacência |
Como mostra a história mexicana, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) sempre fez acordos com os chefões dos potentes cartéis de drogas ilícitas. E o PRI permaneceu no poder durante 71 anos
Um exemplo ajuda a mostrar o quadro. Raúl Salinas, durante o mandato do seu irmão e presidente Carlos Salinas (PRI), acumulou fortuna em acordos com os cartéis. Só na Suíça, foram bloqueados US$58,3 milhões de Raúl. Como sabem até as pirâmides mexicanas, Raúl contava com as graças do irmão Carlos.
A anunciada eleição de Enrique Peña Nieto ainda não está definida. No momento, ocorre recontagem de votos, a pedido do candidato esquerdista Andrés Lopez Obrador, que ganhou na Capital.
A fraude eleitoral é uma das marcas do PRI e dos seus aliados. Com a recontagem, a festa dos narcos, que torceram pela vitória de Peña Nieto, 45 anos de idade, está suspensa.
Em julho de 2006, uma gigantesca fraude eleitoral levou ao poder o atual presidente Felipe Calderón e em prejuízo do concorrente Lopez Obrador, prefeito de muito prestígio na capital mexicana.
Uma confirmação da eleição para presidente do “golden boy” Enrique Pena Nieto, casado com a star de televisão Angélica Rivera, pode colocar fim, com a velha e ruinosa fórmula do acordo, com a “guerra às drogas”. Uma guerra que durante o mandato do atual presidente Felipe Calderón, do conservador PAN (Partido de Ações Nacionais), cobriu de sangue o México.
Para se ter ideia da aventura de Calderón e da “war on drugas” que iniciou em parceria com o então presidente W. Bush, 24.374 mexicanos foram assassinados em 2010, e cerca de 70% sem qualquer ligação com o tráfico ou com a oferta de cocaína.
As mortes na “war on drugs” marcaram o governo de Calderón: 24.374 (2010), 19.803 (2009), 14.006 (2008), 8.876 (2007). Calderón iniciou o mandato em 1º de dezembro de 2006. Para fugir às acusações de fraude eleitoral encampou, com W. Bush, a “war on drugs”. Envolveu o Exército e, no primeiro ano de governo, as mortes atingiram a marca de 12.078.
No discurso de ontem, quando se apresentou como vencedor, Peña Nieto falou em combate sem trégua ao crime. Atenção: combate geral, mas sem a obsessão de Calderón. Tudo isso num México cujos cartéis movimentaram US$ 6,6 bilhões só em 2010.
Pano rápido com um pouco de cinzas. Este modesto articulista, no final de 1998, participou em Viena, como representante do Brasil, de reservados encontros sob a presidência do czar antidrogas da ONU.
Nessas reuniões, o México era representado pelo general Gutierrez Rebolo, figura simpática com o cargo de czar antidrogas da Presidência do seu país.
Posteriormente, Rebolo acabou preso por pressão do governo dos EUA. E condenado por se filiar a um dos cartéis mexicanos: Tijuana.
Rebolo foi mostrado, e usou seu sósia no papel, no filme Traffic.
No processo criminal, ao ser interrogado, Rebolo justificou ter passado para o outro lado e virado corrupto. Disse que ganhava pouco e tinha muitas amantes para sustentar.
O final do filme Traffic vira ficção. Para evitar problemas, uma vez que a condenação de Rebolo não tinha transitado em julgado, o diretor de Traffic resolveu matar o personagem, numa explosão cinematográfica. Na vida real, Rebolo permanece “vivinho da Silva!” e, talvez, com direito a visitas íntimas no presídio.
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